maio 03, 2004

Festival WOMAD 2004

A música, a arte e a dança do mundo em Cáceres


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"Treze anos serviram para congregar num mesmo encontro as vozes de países distantes no mapa, mas próximos nas suas intenções artísticas. Regendo-se pela procura da tolerância entre os povos, tão necessária nos dias que correm, o WOMAD Cáceres 2004 volta a surpreender com uma proposta artística ambiciosa que pretende atingir uma comunhão cultural que ultrapasse os quatro dias do festival".


Entre 5 e 8 de Maio, a cidade espanhola de Cáceres, aqui bem perto, acolhe mais uma edição do festival WOMAD (World of Music, Arts and Dance – Música, Artes e Danças do Mundo). Durante quatro dias, as ruas, praças, recintos, terraços e os muitos bares vão encher-se de milhares de pessoas que irão participar em mais uma edição de um evento emblemático que é já também ele património e parte da memória colectiva daquela cidade, cujo centro histórico foi classificado pela UNESCO. “Treze anos de Festival WOMAD em Cáceres serviram para congregar num mesmo encontro as vozes de países tão distantes no mapa e tão próximos nas suas intenções artísticas como o Brasil, Cuba, Madagáscar, Uzbequistão ou Espanha. Regendo-se pela filosofia de difusão da mensagem vinculada pelas culturas do mundo e pela procura da tolerância e respeito entre os povos, tão necessários nos dias que correm, o festival WOMAD Cáceres 2004 volta a surpreender com uma proposta artística ambiciosa que pretende atingir uma comunhão cultural que ultrapasse os quatro dias do festival”, refere a organização do festival, lembrando que a música é apenas um dos elementos a proporcionar o encontro entre culturas durante os quatro dias de festa. “O respirar do planeta e a voz das suas gentes, representados em Cáceres pelas guitarras que querem dizer bossa quando soam eléctricas; percussões que são gritos de esperança, de festa ou de protesto, que elevam os espíritos e avivam as ilusões; vozes com anos e anos de experiência para que a história de um povo seja cantada através do sentimento, com o necessário som e a imprescindível fé no poder da música", conclui entusiasticamente o comunicado apresentado à imprensa.


Para além do habitual cartaz recheado de artistas de todo o mundo, que irão proporcionar ao público muitas horas de música étnica, o festival marca a diferença pelas iniciativas que decorrem em simultâneo e pela forma como a cidade se envolve com o evento. Seja nos concertos, nos desfiles ou na feira de objectos, por todo o lado se respira a magia que brota da partilha de traços de identidade entre diferentes povos do globo. No que toca à música, este ano a Extremadura é representada por cinco grupos que tocam em casa: Bebe, Dhira, El Combolinga, Son de Secano e Tango Três. A Espanha será ainda representada por El Bicho, Kiko Veneno e Mercedes Peón. O Reino Unido é o país extrangeiro mais bem representado, com as presenças de Talvin Singh, Kamelyan, Justin Adams e do DJ Desperado. A representar a Europa estará ainda o grupo irlandês Kila. Do Brasil vêm o músico Lenine e os Domenico +2, da Colômbia Petrona, enquanto que os Estados Unidos e Cuba levam até Cáceres Paquito D’Rivera & Hermanas Marquez. O continente africano marca também uma forte presença no cartaz musical do evento. Do Senegal vêm Daara J, bem como a dupla Landing Mané e Seydina Djiba. Anna Mudeka, do Zimbabwe, Tinariwen, do Mali, D’Gary, de Madagáscar, Sevara Nezarkhan, do Uzbequistão, e Musafir Gypsies of Rajasthan, da Índia, completam o elenco de artistas que durante quatro dias irão encher de ritmo a cidade de Cáceres.


Os ateliês são outra das atracções do festival. O talento combinado dos artistas Susy Thomas, Alison Wood, Daz Jones, Jack Lockhart e Keith Ogdon, subordinado ao nome “The Love Arts”, dá lugar à criação de uma variedade fantástica de criaturas que no sábado irão desfilar pelas ruas da cidade, entre a Plaza de San Jorge e a Plaza Mayor. São disfarces, máscaras, chapéus e insectos marionetas que irão ser conduzidos por um insecto gigante construído durante os três dias de actividade. Prevista está ainda a realização de um ateliê de dança para jovens, a cargo de Anna Mudeka e de Landing Mané.


Quem não puder ir até Cáceres pode ouvir em directo na Rádio 3 da RNE (Rádio Nacional de Espanha) na sexta-feira, dia 6 de Maio, entre as 21:30 e as 23:00 (hora portuguesa) o concerto de Paquito d’Rivera. No sábado, a mesma estação pública espanhola realiza entre as 13:00 e as 15:00 (hora portuguesa) um “Especial Womad Cáceres”, programa em que será difundido um resumo das actuações que mais se destacaram no festival. No distrito de Castelo Branco o terceiro canal da RNE pode ser facilmente sintonizado nos 99.3 Mhz (Castelo Branco) e 93.7 Mhz (Fundão e Covilhã). Outra alternativa é acompanhar a emissão na Internet, através do sítio http://www.rne.es. Mais informações relacionadas com o WOMAD podem ser encontradas na página oficial do evento, em http://www.womadlatino.com.


 [n] Jorge Costa


 



Vinte anos de WOMAD


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Decorridas duas décadas, e contabilizados mais de 145 festivais realizados em 22 países, foram apresentados cerca de 1500 artistas internacionais a um público que ultrapassa o milhão de pessoas. Na edição de 2001 do livro do Guinness, o WOMAD é referido como o " maior festival internacional de música".


Segundo as suas próprias palavras, foi "por puro entusiasmo, para dar a conhecer a música do mundo inteiro e introduzi-la junto do público do rock", que em 1982 Peter Gabriel decidiu arriscar tudo na criação do primeiro festival WOMAD, que se realizou em Shepton Mallet, no Reino Unido. Para além do cantor britânico, participaram neste projecto pioneiro de divulgação da então recém baptizada “world music” nomes como Don Cherry, The Beat, The Drummers of Burundi, Echo & the Bunnymen, Imrat Khan, Prince Nico M´Barga, Simple Minds, Ekomé, entre outros músicos. Confirmado o sucesso da iniciativa, depressa a sigla se espalharia a diferentes paragens do território inglês – Bath, Bracknell, Brighton, Bristol, Box, Clevedon, Cornwall, Derry, Glastonbury, Guernsley, Londres, Mersea Island, Morecambe Bay e Rivermead, em Reading, bem como a outros pontos do globo. Austrália, Áustria, Canadá, Canárias, República Checa, Dinamarca, Estónia, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Guernsey, Itália, Japão, Nova Zelândia, Portugal, Sardenha, Sicília, Singapura, África do Sul, Espanha, Suécia, Turquia e Estados Unidos são os países e ilhas que também já acolheram os ritmos de música, arte e dança que caracterizam os festivais WOMAD.


Decorridas duas décadas, e contabilizados mais de 145 festivais realizados em 22 países, foram apresentados a um público que ultrapassa o milhão de pessoas cerca de 1500 artistas internacionais provenientes de países tão distantes e diferentes como a Austrália, a Argentina, a Argélia, a Zâmbia ou o Zimbabué, e outrora desconhecidos como Neneh Cherry, Youssou N´Dour, Afro-Celt Sound System, The House Martins, Nusrat Fateh Ali Khan e os Asian Dub Foundation. Destacam-se ainda as participações históricas de Lenny Kravitz, REM, Arrested Development, Ziggi Marley, The Wailers, Salif Keita, Noa, Khaled, entre muitos outros. Iniciativas invulgares como a "Grande Viagem de Comboio pela Austrália", que em 1996 atravessou o deserto de Nullarbor entre Perth e Adelaide, com uma paragem para uma actuação na zona remota de Pimba fazem também parte da história do evento que estendeu raízes a todo o globo. E mesmo que o número de participantes no WOMAD vá variando entre os 98 mil que assistiram ao festival em 1993 no parque Golden Gate de São Francisco, e as audiências mais intimistas dos eventos celebrados, por exemplo, no Shakespeare´s Globe Theatre de Londres, na edição de 2001 do livro do Guinness, este é referido como o " maior festival internacional de música".


Com o passar dos anos, a fundação WOMAD converteu-se numa das mais prestigiadas organizações culturais do mundo. Regendo-se por uma filosofia que assenta no multiculturalismo e dando voz aos múltiplos estilos musicais, ambientes e identidades étnicas, esta faz da diversidade cultural a protagonista dos diversos festivais que anualmente se realizam em múltiplos pontos do planeta. Parte fundamental do espírito do WOMAD é o permitir que artistas e público possam conviver para além dos espectáculos, através de ateliês para adultos e crianças organizados em paralelo com os concertos. Registada como instituição de beneficência desde 1983, a fundação WOMAD tem vindo a produzir uma grande variedade de projectos educativos em todo o mundo.


[n] Jorge Costa


Posted by industriadarte at maio 3, 2004 11:35 PM
Comments
Parabéns! Parbéns pela magnífica iniciativa, se tiver vontade e disponibilidade, sugiro-lhe que dê uma saltada pois poderá conhecer (se já não conhece?) mais sobre alguém que muito terá a ver com o Universo artístico que refere! Participe activamente, deixe o seu comentário! Vou continuar a ler este seu Blog até ao final da página, costume pouco usual entre os membros da Blogoesfera! Posted by: João Maria at maio 5, 2004 02:41 AM
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